Avaliação Comparativa do Epitélio da Gengiva Marginal em Fumantes e Não Fumantes: Um Estudo Histomorfométrico e Imunohistoquímico


O tabagismo é um dos mais fortes preditores de perda óssea e de inserção. Os fumantes apresentam sinais clínicos inflamatórios reduzidos, o que poderia ser devido à vasoconstrição local e ao aumento da espessura epitelial gengival. Os bioprodutos originados da oxidação do tabaco modificam as características clínicas e a progressão da doença periodontal. O objetivo deste estudo foi investigar a relação entre a espessura do epitélio oral da gengiva marginal, sangramento sulcular, calibre vascular e densidade dos microvasos em fumantes e não fumantes com e sem periodontite e entender melhor o papel do tabagismo em relação à doença periodontal. Cento e vinte indivíduos foram recrutados neste estudo e foram divididos em quatro grupos compostos de 30 participantes cada. As mensurações clínicas realizadas incluíram profundidade de sondagem, perda de inserção clínica e índice de sangramento, juntamente com amostras de biópsia gengival, que foram submetidas à análise imunohistoquímica e histomorfométrica. A correlação das características clínicas e histológicas revelou que os fumantes apresentaram menos sinais inflamatórios, tiveram menos elementos vasculares na camada de tecido conjuntivo subepitelial e mostraram um aumento resultante da espessura epitelial independente da presença de periodontite. Houve um aumento médio da espessura epitelial de 181,3 µm (espessura epitelial suprapapilar [EES]) para 380,2 µm (espessura epitelial máxima [EEM]) em fumantes com periodontite quando comparado a um aumento de 157,4 µm (EES) para 325,3 µm (EEM) em não fumantes com periodontite. A densidade microvascular média em fumantes com periodontite foi de 325,4 por mm², o que foi estatisticamente menor do que a encontrada nos não fumantes com periodontite, que apresentaram um valor médio de 412,13 por mm². O calibre do vaso também foi reduzido em fumantes, com um valor médio variando de 4,7 a 6,1 µm comparado com a média de 6,2 a 9,2 µm em não fumantes, independente da presença de periodontite. Diferenças estatisticamente significativas foram encontradas na densidade vascular e na espessura do epitélio gengival entre fumantes e não fumantes com e sem periodontite. Estas diferenças podem impactar na progressão da doença periodontal.