Um Estudo Prospectivo, Randomizado, Aberto de um Protocolo com Opioide Reduzido para Manejo da Dor Pós-Operatória Com e Sem Bupivacaína Lipossômica para Cirurgia de Implante de Arco Total


Objetivo: A dor leve a moderada é comum após cirurgias de implantes dentários, embora a dor intensa seja relatada em alguns pacientes. Este ensaio clínico randomizado e aberto foi desenhado para determinar a eficácia e a segurança de um protocolo pós-operatório de controle da dor, com ou sem infiltração local de bupivacaína lipossômica para cirurgia de implante de arco total. Este procedimento é utilizado em pacientes desdentados e/ou com falha na dentição e envolve a fixação de quatro ou mais implantes na maxila e/ou mandíbula para servir de suporte para próteses dentárias. Materiais e Métodos: Pacientes programados para serem submetidos à cirurgia de implante de arco total foram aleatoriamente designados para receber um protocolo de tratamento de dor pós-cirúrgico com redução de opioides com ou sem 266 mg de bupivacaína lipossômica no final da cirurgia. Todos os pacientes receberam infiltração com ≤ 40 mL de lidocaína a 2% com epinefrina no início da cirurgia e bupivacaína a 0,5% com epinefrina no final da cirurgia e analgésicos opioides ou não opioides orais (comprimidos de oxicodona 5 mg ou ibuprofeno 600 mg), conforme necessário. A gravidade da dor no sítio cirúrgico foi avaliada usando uma escala verbal de 0 a 10 de classificação numérica (0 [sem dor] a 10 [pior dor imaginável]). Os pacientes avaliaram separadamente a dor na mandíbula e na maxila. Relatos de eventos adversos emergentes do tratamento foram coletados. Resultados: Sessenta e nove pacientes foram randomizados para a bupivacaína lipossômica 266 mg (n = 34) ou grupo controle (n = 35). Em todos os momentos pós-cirurgia tanto para a mandíbula (todos ≤ 0,0112) quanto para a maxila (todos P ≤ 0,0083), o grupo da bupivacaína lipossômica relatou dor cumulativa significativamente menor que o grupo controle. Na conclusão do acompanhamento de 7 dias, os pacientes do grupo da bupivacaína lipossômica apresentaram um terço de dor pós-cirúrgica menos cumulativa do que os pacientes do grupo controle. Setenta e sete por cento dos pacientes no grupo da bupivacaína lipossômica e 80% no grupo controle experimentaram um evento adverso emergente do tratamento. Uma maior porcentagem de pacientes da bupivacaína lipossômica versus grupo controle relatou prurido (15% vs 9%) e constipação (38% vs 23%). Os autores concluíram que os pacientes que receberam um tratamento pós-operatório poupador de opioides, com 266 mg de bupivacaína lipossômica, apresentaram uma redução estatisticamente significativa da dor pós-cirúrgica e uma redução clinicamente relevante no consumo de opioides. A incidência geral de eventos adversos emergentes do tratamento foi comparável em pacientes que receberam um protocolo de tratamento da dor pós-cirúrgica com redução de opioides, com ou sem bupivacaína lipossômica.