Próteses parciais fixas definitivas em oclusão imediata versus restaurações provisórias em infraoclusão – resultados de um acompanhamento de 4 meses pós-carga de um ensaio clínico randomizado controlado multicêntrico pragmático

Objetivo: Comparar os resultados clínicos de implantes dentários restaurados com próteses parciais fixas definitivas, submetidos à carga dentro da primeira semana, após a instalação dos implantes, e de restaurações provisórias imediatas em infraoclusão, que seriam substituídas por próteses definitivas após 4 meses.
Materiais e métodos: Cinquenta pacientes parcialmente edêntulos, tratados com um a três implantes dentários, com pelo menos 8,5 mm de comprimento e 4,0 mm de largura instalados com um torque de pelo menos 35 Ncm, foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos de 25 pacientes cada um, nos quais foram colocadas próteses parciais fixas com carga imediata. Os pacientes de um grupo receberam uma prótese definitiva metalocerâmica aparafusada colocada em oclusão durante a primeira semana após instalação do implante. Os pacientes do outro grupo receberam uma prótese acrílica reforçada provisória sem carga oclusal durante as primeiras 24 horas após instalação do implante. As próteses provisórias foram substituídas pelas definitivas após 4 meses O acompanhamento foi de 4 meses pós-carga para todos os pacientes. As medidas utilizadas para avaliação dos resultados foram falha da prótese e do implante, quaisquer complicações, mudanças no nível ósseo peri-implantar marginal, avaliação estética por um clínico, satisfação do paciente, tempo em consultório e número de visitas ao consultório odontológico desde a instalação do implante até a entrega das restaurações definitivas.
Resultados: Nenhum paciente desistiu. Dois implantes colocados em carga imediata com suas respectivas próteses definitivas (8%) falharam precocemente (diferença nas proporções = 0,08; 95%IC: -0,03 até 0,19; P = 0,490). Ocorreram quatro complicações no grupo em oclusão versus uma no grupo sem oclusão (diferença nas proporções = 0,12; 95%IC: -0,04 até 0,28; P = 0,349). Quatro meses pós-carga, os pacientes sujeitos ao tratamento sem carga oclusal perderam, em média, 0,72 mm de osso peri-implantar versus 0,99 mm dos pacientes reabilitados com próteses parciais fixas definitivas em oclusão. Não houve diferenças estatísticas significativas para as mudanças no nível de osso marginal entre os dois grupos (diferença média = -0,27 mm; 95%IC: -0,84 a 0,30; P = 0,349). Estas diferenças para escores estéticos não mostrou diferença estatística significativa (8,26 versus 7,58; P = 0,445); o mesmo foi verificado para a estética avaliada pelos pacientes (teste U de Mann-Whitney: P = 0,618). Os pacientes no grupo em infraoclusão estavam significativamente mais satisfeitos com a função das suas próteses implantossuportadas (teste U de Mann-Whitney: P = 0,039). Um tempo em consultório significativamente menor foi necessário (diferença média = -28,4 min; 95%IC: -48,82 até -7,99; P = 0,007) e número de visitas (diferença média = -1,88; 95%IC: -2,43 até -1,33; P < 0,001) para o grupo da prótese definitiva imediata.