Efeito da Perfuração da Membrana do Seio Maxilar na Taxa de Sobrevivência dos Implantes: Um Estudo Retrospectivo


Objetivo: O objetivo deste estudo retrospectivo foi avaliar as taxas de sobrevivência do implante (TSI) para implantes colocados em seios maxilares onde ocorreu uma perfuração da membrana durante o aumento usando exclusivamente osso bovino anorgânico (OBA) por meio de exames clínicos e radiográficos. Também é apresentada a informação histológica de cinco espécimes de biópsia extraídos de grandes perfurações da membrana. Materiais e Métodos: Pacientes consecutivos que foram submetidos a procedimentos de aumento de seio maxilar em um consultório particular entre 2004 e 2013 foram coletados de uma base de dados informática. Os seguintes perfis foram selecionados para análise de dados: tomografia computadorizada antes do tratamento; informações da membrana perfurada de acordo com o tamanho: não perfurado, pequeno (≤ 5 mm), médio (> 5 e < 10 mm), ou grande (≥ 10 mm); seios enxertados exclusivamente com OBA e janela lateral coberta com uma membrana de colágeno (MC); e sobrevivência do implante após pelo menos 2 anos de carga funcional colocada em seios maxilares. Os implantes foram considerados sobreviventes na ausência de infecção, mobilidade ou dor. Resultados: A amostra neste estudo retrospectivo compreendeu 531 pacientes; 214 exigiram aumento bilateral do seio e 317 necessitaram de aumento do seio unilateral (total = 745 seios). Foi colocado um total de 1.588 implantes. A partir de 745 seios maxilares, 237 (31,8%; 523 implantes) foram perfurados durante o procedimento. Entre estes, 48 perfurações foram grandes (20,2%; 107 implantes), 67 (28,3%; 150 implantes) eram médias e 122 eram pequenas (51,5%, 266 implantes). Dos 523 implantes colocados em seios perfurados, 15 foram perdidos (ISR = 97,1%). A comparação da TSI para perfurações pequenas (97,7%), médias (97,3%) e grandes (95,3%) com 1.065 implantes colocados em seios não perfurados (TSI = 97,7%) não foi estatisticamente significativa. A análise histomorfométrica das cinco amostras de biópsia mostrou 24,52% ± 6,99% do osso novo, 24,32% ± 6,42% do espaço da medula e 51,2% ± 3,75% do OBA remanescente. Conclusão: A diferença de TSI para implantes colocados em seios maxilares e não perfurados não foi estatisticamente significativa. Dentro dos limites dos dados histológicos, os resultados histomorfométricos com 24,52% ± 6,99% da formação óssea nova em seios maxilares com grandes perfurações apresentaram formação óssea semelhante, compatível com seios maxilares não perfurados descritos na literatura. Os autores atribuíram a TSI elevada mostrada em seios perfurados neste estudo ao bom manejo das perfurações.