Atualização: Diabetes Mellitus e Resultados de Tratamento com Implantes Orais

Implantes orais são frequentemente utilizados em pacientes com condições sistêmicas de saúde pré-existentes e/ou estão presentes em pacientes que desenvolvem essas condições. Como membros da equipe de saúde, frequentemente consideramos com cuidado o impacto de doenças como diabetes e tentamos aconselhar nossos pacientes a entender os riscos e benefícios do tratamento. A hiperglicemia se tornou uma grande preocupação e uma maneira para medir o controle glicêmico é utilizar os níveis plasmáticos de hemoglobina glicosada A1c (HbA1c). Embora este tipo de medida indiretamente mensure a saúde, ela pode ser útil quando considerado em um contexto generalizado de saúde e seu impacto sobre a saúde bucal. No estudo de Oates et al (2014), foram comparados os resultados iniciais de um ensaio controlado randomizado (ECR ) a respeito de tratamento de sobredentaduras sobre implantes em pacientes com diabetes tipo 2 (DM) normal, controlada e não controlada. Os resultados iniciais em um ano sugeriram que HbA1c não estava correlacionada à sobrevivência do implante. Esse é um estudo interessante, bem delineado e cuidadosamente executado. Os resultados podem ser considerados preliminares, pois o tratamento de DM pode ter mais impacto em longo prazo, na inflamação peri-implantar e perda óssea em vez de na baixa sobrevivência dos implantes (se essa sobrevivência for um dos objetivos finais do estudo). Isso é sugerido na revisão sistemática realizada por Chrcanovic (2014), com a ressalva de que muitos estudos sobre a população com comprometimento de saúde geral possuem múltiplos fatores de confusão, e como DM, sozinho, levanta dificuldades analíticas relevantes que o clínico deve estar atento ao usar os resultados de tais estudos. A literatura também é fraca em sugerir se superfícies de implantes desempenham um papel na melhora em população com comprometimento sistêmico, como descrito por Fontanari (2014). Para compreender se DM possui impacto
sobre a densidade e volume ósseo, o grupo de pesquisa liderado por Nemtoi (2013) explorou usando TCCB e sugeriu que talvez haja alterações da arquitetura nas estruturas ósseas na mandíbula posterior em sujeitos com HbA1c elevada. Novamente, isso sugere modificações anatômicas, mas não significa que resultados de implantes serão afetados. Para avaliar a interação de múltiplas condições em resultados de implantes e o risco relativo (RR), uma equipe de Shanghai calculou o RR agrupado em pacientes com osteoporose,
hábito de fumar, radioterapia ou DM e observou correlação positiva entre hábito de fumar e radioterapia em resultados de implantes, mas nenhuma correlação com DM. Isso corroborou em parte a publicação de Rocchietta e Nisand (2012). Dada as complexidades de DM e sua provável origem epigenética, Razzouk e Sarkis (2013) pesquisaram o papel da qualidade óssea, DM, e prováveis fatores epigenéticos
impactantes na osseointegração. Em geral, o clinico deve considerar cuidadosamente o histórico médico do paciente e obter consultas médicas quando o estado de saúde geral não está claro. À medida que a medicina personalizada continuar a se desenvolver, surgirão implicações importantes para o tratamento de implantes orais aos nossos pacientes