Dentes anteriores superiores com restaurações adesivas afetados por erosão severa: resultados de estudo clínico prospectivo até 6 anos


Em casos de erosão severa, os dentes superiores anteriores são particularmente afetados com frequência. Restaurar esses dentes convencionalmente (por exemplo com coroas) envolve frequentemente terapia endodôntica eletiva e perda adicional de estrutura dental. Uma abordagem nova e minimamente invasiva para restaurar dentes erodidos foi desenvolvida e está atualmente sendo testada em um estudo clínico prospectivo nomeado Estudo da Erosão de Genebra. Para evitar coroas, duas facetas com diferentes formas de inserção foram usadas para restaurar dentes superiores anteriores afetados pela erosão, independentemente de aumento de coroa e quantidade de esmalte remanescente. Esse tratamento é chamado “Abordagem Sanduíche”.

Objetivos: A proposta dessa série de estudos de casos foi analisar o resultado clínico de dentes superiores anteriores afetados por erosão severa restaurados seguindo a Abordagem Sanduíche.

Materiais e métodos: 12 pacientes consecutivamente consultados (média de idade: 39,4 anos) acometidos de erosão severa foram incluídos no estudo e subsequentemente tratados. Devido a interceptação tardia da doença, todos os pacientes necessitavam de reabilitação da boca toda, o que foi realizado sem confecção de coroas convencionais. Nos dentes superiores anteriores, um total de 70 restaurações palatinas indiretas em resina e 64 restaurações vestibulares com facetas de cerâmica feldspáticas foram cimentadas. Ambos os tipos de facetas foram cimentadas adesivamente com um resina híbrida. Reavaliações clínicas foram feitas 6 meses após a cimentação das facetas e depois anualmente, usando o critério modificado do Serviço Público de Saúde dos Estados Unidos (USPHS). Adaptação marginal, integridade marginal (selamento, ausência de infiltração), status da vitalidade pulpar, sensibilidade pós-operatória, estética, sucesso ou fracasso da restauração, foram os principais parâmetros analisados. Resultados: após 6 anos de observação (tempo médio de observação de 50.3 meses para facetas palatinas e 49.6 meses para facetas vestibulares), nenhuma grande falha ou completo fracasso foram encontrados. Na base do critério usado, a maioria das facetas foi classificada como Alfa para adaptação e selamento marginais. Cáries secundárias e complicações endodônticas não foram detectadas. Usando análise visual de escala análoga, a satisfação do paciente revelou uma alta aceitação estética e funcional de 94.6%.

Conclusão: Comparadas aos preparos para coroas convencionais, restaurar dentes anteriores superiores por meio de duas facetas previne remoção excessiva de estrutura dental e perda da vitalidade dental. Surgem questões sobre a longevidade desse novo tratamento devido à condição inicial do dente a ser restaurado (como a falta de esmalte, substrato de dentina esclerótica e coroas clínicas curtas). O desempenho clínico dos dentes tratados seguindo a Abordagem Sanduíche parece promissor, já que nenhum destes dentes perdeu a vitalidade, nenhuma falha nas restaurações foi detectada e a satisfação da maioria dos pacientes foi alta. Embora sejam necessárias mais investigações para determinar o desempenho em longo prazo das restaurações na modalidade de tratamento descrito, os resultados intercalares encorajadores (biológicos, estéticos, e sucesso mecânico) claramente questiona se coroa convencional nos segmentos anteriores superiores ainda continua a ser considerada a melhor ou a única opção para tratar essa população particular de pacientes.(Int J Esthet Dent  edição em português 2016;1:82-106).
(Referência original: Int J Esthet Dent 2013;8:506-530).