Elevação da margem profunda versus aumento da coroa: espaço biológico revisitado


Este artigo revisita o conceito de espaço biológico, em particular suas consequências clínicas para opções de tratamento e decisões à luz de abordagens odonto- lógicas modernas, como biomimética e procedimentos minimamente invasivos. No passado, devido à necessidade de respeitar o espaço biológico, os clínicos eram acostumados a remover tecido periodontal, osso e gengiva em torno das cavidades profundas, de modo que os limites das restaurações fossem colocados longe do epitélio e dos tecidos conjuntivos, a fim de prevenir perda, exposição da raiz, abertura da área proximal (levando a buracos negros) e estética pobre. Além disso, nenhum material era colocado subgengivalmente pois poderia levar à inflamação periodontal e perda de inserção. Hoje, com a abordagem mais conservadora da odontologia restauradora, os procedimentos subtrativos anteriores es- tão sendo substituídos por procedimentos aditivos. Em vista disso, poderia ser proposta a elevação da margem profunda (EMP) em vez do aumento da coroa clínica como uma mudança de paradigma para as cavidades profundas. A intenção deste estudo foi a revisão da literatura em busca de evidências científicas sobre as consequências do EMP com diferentes materiais, particularmente no periodonto circunvizinho, do ponto de vista clínico e histológico. Uma nova abordagem é extrapolar os resultados obtidos durante os procedimentos de recobrimento radicular em raízes restauradas para levantar a hipótese sobre a natureza da cicatrização do tecido de inserção proximal em um material adesivo durante uma EMP. Três casos clínicos apresentados aqui ilustram esses procedimentos. A hipótese deste estudo foi que, embora o aumento da co- roa seja um procedimento valioso, suas indicações devem diminuir com o tempo, dado que a EMP, apesar de ser um procedimento muito exigente, parece ser bem tolerado pelo periodonto circundante, clínica e histologicamente.