Rugosidade superficial na superfície de resina composta e nas junções resina composta-esmalte e resina composta-dentina após diferentes procedimentos de acabamento e polimento. Parte II: Rugosidade com tratamento com polidores após o acabamento com carboneto e diamante e as diferenças entre resina de esmalte versus resina de corpo


O presente estudo levanta três perguntas principais relativas ao acabamento e ao polimento de resina composta: 1) Será que a rugosidade superficial das diferentes superfícies de restauração tem valores diferentes, utilizando o mesmo sistema de polimento (múltiplos passos), após acabamento com carboneto de tungstênio ou broca diamantada? 2) Nas mesmas condições de sequências de acabamento e polimento, as superfícies de resinas compostas (C), e as interfaces resina-esmalte (CE) e resina-dentina (CD) mostrarão diferentes valores de rugosidade? 3) Será que a rugosidade superficial dos compósitos de diferentes níveis de translucidez nas várias fases de acabamento e polimento, e em diferentes interfaces, tem resultados diferentes?

A hipótese nula é representada pelo fato de que não há diferenças significativas na rugosidade das restaurações compostas ao polir após o acabamento com carboneto de tungstênio ou pontas diamantadas. Além disso, a hipótese nula é que não existem diferenças significativas na rugosidade entre polimento em superfícies compostas, resina-esmalte e interfaces resina-dentina e, finalmente, não há diferenças na rugosidade após o acabamento e polimento de duas resinas compostas com diferentes níveis de translucidez. Para o estudo, foram preparadas 56 cavidades da classe V em dentes extraídos.

As restaurações foram feitas com resinas compostas nanoparticuladas Filtek XTE (3M ESPE) de uma forma padronizada, e depois finalizadas e polidas. As 28 cavidades vestibulares foram restauradas na superfície com resina composta para esmalte e as 28 palatinas com resina composta de corpo. O acabamento foi feito com fresas finas em carboneto de tungstênio (16 lâminas) ou pontas diamantadas de granulação fina (46 μm) e feitas pelo mesmo fabricante (Komet). A segunda fase de acabamento foi realizada com brocas (com a mesma forma que já foi mencionada) de carboneto de tungstênio (30 lâminas) ou com diamante de granulação extra e ultrafina (25 e 8 μm). A fase de polimento para ambas as sequências anteriores foi feita com a aplicação de três pontas de borracha com abrasividade decrescente e uma aplicação com uma escova de autopolimento. Todas as medidas foram retiradas das superfícies C e interfaces CE e CD. As análises estatísticas foram realizadas com teste c2 (a = 0,05).

Conclusões: 1) Não houve diferenças relevantes de rugosidade superficial nas diferentes superfícies se o polimento foi feito após o acabamento com carboneto de tungstênio ou pontas diamantadas. 2) Mantendo a mesma sequência de acabamento e polimento, observou-se diferença entre C, CE e CD, onde o último apresentou maior rugosidade. 3) Analisando os dados em todas as fases de acabamento e polimento em cada interface, pode-se concluir que a resina de esmalte e de corpo não apresentou diferentes níveis de rugosidade superficial. A relevância clínica pode ser resumida da seguinte forma: nenhuma diferença após o polimento, que é precedida por brocas de carboneto de tungstênio ou diamantadas. A interface menos favorável a ser polida é o CD, em comparação com CE e C. Considerando dois compósitos com diferentes níveis de translucidez, não foram detectadas diferenças na rugosidade após o acabamento e o polimento.